ANÁLISE: A indústria musical: do ideal à realidade moçambicana

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Texto de Circle Langa

Tomemos por ponto de partida, para efeitos de compreensão da abordagem, que este texto conceptualiza o termo Indústria sob dois prismas: o sentido económico que se refere à produção de bens e serviços e o sentido pessoal inerente ao trabalho árduo.

A perspectiva económica, em Negócios e Economia, refere-se a um grupo de empresas ou negócios que operam no mesmo campo, produzindo produtos semelhantes ou oferecendo serviços comparáveis. Na perspectiva pessoal, o termo tem origem no latim “industria”, que significa “diligência” ou “trabalho árduo”. A nível pessoal, indústria refere-se à qualidade de ser constante e habitualmente dedicado ao seu trabalho como são os casos dos astros da música como Michael Jackson, Bob Marley, Whitney Houston, Beyoncé Knowles.

Antes da Indústria, a música é em si uma expressão da cultura, emoção e criatividade humanas cujos modelos estéticos vêm sendo moldados em função das dinâmicas e metamorfoses dos sistemas (socialistas e capitalistas). Se antes um espectáculo da Whitney Houston precisava de 35 a 40 camiões cavalos e um palco com pouco mais de 100 figurantes que compreendem a cantora, orquestra, bailarinos, instrumentistas, hoje um espectáculo de Black Coffe varia entre 2 a 4 camiões, tendo por alma do show o seu Macbook. Isso pressupõe que a lógica do mercado musical entrou em consonância com a ascensão do capitalismo que encontra maior conforto no sistema neolibera.

A música reflexiva perdeu eco diante da não reflexiva. Sobre isso, Nina Simone disse, em alto e bom som, que o artista reflecte o tempo em que vive. Sucede que, para o agente económico, a música reflexiva não vende drogas lícitas e ilícitas que empurram o espectador movido pela irracionalidade à compra massiva dos produtos paralelos vendidos ao redor do local do espectáculo. Isto significa que longe de ser o próprio músico o verdadeiro mentor da dinâmica dos ritmos musicais, são os agentes económicos que ditam a dinâmica e metamorfose dos ritmos e estéticas musicais em função do que lhes é mais rentável. Baixo investimento e altos lucros outrora impossíveis. Leia mais…

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