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As cheias e inundações que têm assolado várias regiões do país, nos últimos dias, deixaram um rasto de destruição no sector agrícola. Nos distritos afectados, produtores relatam perdas de culturas, animais e equipamentos agrícolas, numa altura em que maior parte das plantações estava na fase final de desenvolvimento ou nas vésperas da colheita.
A União Nacional dos Camponeses (UNAC) alerta que os impactos das cheias poderão comprometer, de forma severa, a actual campanha agrária, situação que poderá se reflectir na segurança alimentar do país ao longo do presente ano. Embora ainda não existam dados definitivos, estimativas preliminares indicam para a perda de cerca de 260 mil hectares de áreas agrícolas, mais de 300 mil agricultores afectados e, aproximadamente, 430 mil animais perdidos, números que poderão aumentar à medida que o acesso às zonas inundadas for restabelecido.
Segundo o coordenador- -executivo da UNAC, Luís Muchanga, as províncias de Maputo e Gaza concentram os maiores prejuízos, com vastas extensões de campos submersos e culturas completamente destruídas. Há, igualmente, registos de devastação de algumas culturas em Manica e Zambézia, embora em menor escala.
Muchanga refere que, além da produção, os agricultores perderam também sementes e equipamentos. Mesmo nas zonas onde as plantações não foram totalmente arrastadas pelas águas, aponta que a recuperação se mostra difícil, afinal, “a estagnação prolongada da água nos campos, associada às temperaturas elevadas, tem provocado o aquecimento dos solos, dificultando o desenvolvimento das culturas”.
Na província de Maputo, das zonas baixas afectadas, destaque para os distritos de Boane, Moamba, Magude e Manhiça, considerados celeiros no abastecimento de hortícolas e legumes à região sul do país. Para a UNAC, o cenário vai afectar a disponibilidade de alimentos e o rendimento das famílias camponesas. “Quando dizemos que a campanha está comprometida, estamos a indicar que a segurança alimentar em 2026 será deficitária”, alertou. Leia mais…
