51
]]>
Os criadores de gado dos distritos afectados pelas cheias alertam para o agravamento da crise no sector que, segundo eles, já vinha fragilizado por doenças e falta de assistência veterinária desde o ano passado. Em Moamba, as cheias destruíram currais, arrastaram animais e deixaram centenas de cabeças de gado cercadas pelas águas.
Segundo Neemias Ntila, presidente da Associação de Criadores daquele distrito, muitos produtores não conseguiram retirar os animais a tempo, apesar dos avisos sobre a subida do nível das águas. “Houve muitas perdas. O gado foi arrastado pelas águas e há animais que continuam cercados.
As cabeças que sobreviveram estão debilitadas, sem alimentação adequada e vulneráveis a doenças”, explicou. Ntila refere que a situação é ainda mais preocupante porque os criadores já enfrentavam perdas significativas desde Abril de 2025, devido a doenças por falta de vacinação. “Muitos animais não estavam vacinados porque já não há campanhas regulares de imunização”, disse.
De acordo com o dirigente, este cenário obrigou os criadores a recorrerem a meios próprios para adquirir vacinas, uma alternativa inacessível para muitos. “Os que tinham condições compraram vacinas, mas as pessoas sem possibilidades assistiram ao gado a sucumbir”, lamentou.
Além da perda de animais, os criadores temem um aumento da mortalidade nos próximos meses, devido à debilidade do gado que sobreviveu e ao risco de surtos de doenças associadas à humidade e à falta de assistência. “Mesmo os animais que escaparam às águas estão fracos. Se não houver uma intervenção rápida, vamos continuar a perder gado”, alertou.
Dados recentes do INGD indicam que, em resultado das cheias e inundações registadas nas últimas semanas, mais de 400 mil animais terão sido perdidos em diferentes pontos do país. Contudo, os criadores consideram que os números reais poderão ser superiores.
