O PS questionou o Governo sobre como está a acompanhar a situação da comunidade portuguesa e lusodescendente na Venezuela e se prevê eventuais operações de emergência, face às limitações das ligações aéreas neste país.Numa pergunta ao Ministério dos Negócios Estrangeiros divulgada este sábado, os socialistas questionam o executivo PSD/CDS-PP sobre que avaliação faz o Governo dos recentes desenvolvimentos na Venezuela e que “implicações e riscos antevê para a comunidade portuguesa e lusodescendente”, bem como que medidas prevê adoptar para garantir o seu acompanhamento.”Nos últimos meses, têm-se intensificado tensões sobre a liderança política venezuelana, que elevam o grau de imprevisibilidade sobre o futuro do país e fazem aumentar as preocupações com a expressiva comunidade portuguesa residente na Venezuela”, referem os socialistas, considerando que o quadro se agravou com a recente decisão anunciada pelo Presidente Nicolás Maduro de revogar as autorizações de operação de várias companhias aéreas internacionais, entre as quais TAP, Avianca, Latam, Turkish Airlines, Colombia e Gol.
Este sábado, o Presidente dos Estados Unidos avisou que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado “totalmente fechado”, numa altura em que Donald Trump está a aumentar a pressão sobre aquele país e o confronto com Nicolás Maduro.”Existem planos de contingência especificamente destinados à comunidade portuguesa na Venezuela, reforço de meios ou canais de comunicação?”, questionam os socialistas, que perguntam ainda ao Governo se tenciona adoptar medidas adicionais para assegurar o acesso aos serviços consulares e “eventuais operações de emergência ou apoio directo aos cidadãos portugueses e lusodescendentes”.Por fim, o PS pergunta que diligências diplomáticas desencadeou o Governo no sentido de reverter a decisão das autoridades venezuelanas relativamente à TAP.”Impõe-se que o Governo esclareça a Assembleia da República sobre esta situação”, apela o partido.Na quinta-feira, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, considerou que “seria totalmente irresponsável” a TAP ter continuado a voar para a Venezuela depois do alerta de segurança e considerou desproporcionada a retirada da autorização de voo para o país por parte das autoridades venezuelanas.”Aquilo que nós estamos a fazer é, através da nossa embaixada, sensibilizar as autoridades venezuelanas de que essa medida é desproporcionada, que nós não temos nenhuma intenção de cancelar as nossas rotas para a Venezuela, e que, obviamente, só o fizemos por razões de segurança que, por todas as regras internacionais da aviação, nem sequer havia a hipótese de não respeitar”, explicou.Também o PS, na pergunta dirigida ao Governo, considera que a decisão da TAP foi “absolutamente normal e responsável” e classifica igualmente como desproporcional a resposta por parte das autoridades venezuelanas.”Face ao contexto político mais tenso, à deterioração económica persistente e à limitação súbita de acessos e voos internacionais, o Governo português deve estar preparado para garantir a segurança e integridade da comunidade portuguesa na Venezuela”, defendem os deputados socialistas.O partido acrescenta ser “imperioso que se assegurem mecanismos de acompanhamento reforçado da comunidade portuguesa, que se garanta protecção adequada, informação actualizada e capacidade de resposta rápida perante qualquer agravamento da situação”.
