O arquitecto Nuno Abrantes queria que as crianças brincassem lá fora mesmo em dias de chuva e foi a pensar nisso que redesenhou uma escola.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A reabilitação da Escola das Barrocas, em Aveiro, nasceu de um concurso público, com início em 2018. A inauguração do novo espaço aconteceu em Outubro de 2025.
O arquitecto responsável pela obra conta que o projecto teve três níveis de intervenção – um edifício totalmente novo, um edifício de dois pisos que teve uma forte intervenção e um edifício cuja intervenção foi mínima. A proposta foi, desde o início, criar um edifício que ligasse os dois já existentes (um era da pré-primária e o outro era de 1.º ciclo). O novo edifício, além de estabelecer essa ligação, alberga uma cozinha, uma cantina, e um polivalente comum a ambos os ciclos.
Há um material que se destaca nesta construção: o tijolo face à vista, bastante característico desta zona. “A Universidade de Aveiro é inclusive toda construída nestes tijolos”, explica Nuno Abrantes. Além disso, “a telha vidrada oferece uma dimensão diferente” ao espaço escolar, explicou o arquitecto.
Uma das zonas do pátio interior, na zona de ligação entre os edifícios, é todo em cimento. Nuno queria manter a terra, como era antes da reabilitação, mas a Câmara Municipal de Aveiro quis “um espaço que não exigisse tanta manutenção”. Em contrapartida, o projecto contou com a plantação de mais de dez árvores no espaço escolar.
Uma das zonas que o arquitecto considera mais especiais é a zona de um “coberto exterior”, que constituiu o seu próprio desafio, construir um espaço no exterior onde as crianças pudessem brincar em dias de chuva. As fotografias de Inês D’Orey mostram a solução, a madeira que confere um ambiente quente ao recreio, mesmo no exterior.
“Há muitos gestos arquitectónicos que só fazem sentido por ser uma escola”, conta o arquitecto. E as preocupações por ser um espaço de ensino para os mais jovens são “a iluminação natural e espaços amplos”. O desafio de reabilitar uma escola, contou Nuno ao P3, prende-se com a necessidade de desenhar algo que agrade aos alunos e aos professores, para “que eles possam apropriar-se desse espaço e torná-lo seu”.
