Aprovada redução do IVA para venda de obras de arte no Orçamento do Estado para 2026

Aprovada redução do IVA para venda de obras de arte no Orçamento do Estado para 2026

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O Parlamento aprovou segunda-feira as propostas do partido de direita radical Chega e do Partido Socialista para reduzir o IVA sobre as transacções de obras de arte de 23% para 6%, tendo a da Iniciativa Liberal sido rejeitada. As três propostas foram votadas na discussão de especialidade do Orçamento do Estado para 2026.No final de Outubro, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, considerou que fazia “naturalmente sentido” reduzir a taxa de IVA de transacções de obras de arte de 23% para 6%, ressalvando que tal “é competência da Assembleia da República”.Durante o 1.º Fórum Cultura, num momento aberto a questões, a galerista e presidente da Exibithio — Associação Lusa de Galeristas, Vera Cortês, reiterou um pedido já feito à anterior ministra, Dalila Rodrigues, de que a taxa de IVA de transacções de obras de arte fosse reduzida da taxa máxima para a mínima.Já depois disso, o grupo parlamentar do Partido Socialista (PS) fez uma proposta de aditamento para “responder às legítimas expectativas do sector, garantindo que as transmissões e importações de obras de arte realizadas por revendedores registados passem a beneficiar da taxa reduzida de 6%”, lia-se no documento, disponível no site oficial do Parlamento.Da mesma maneira, com a proposta de aditamento apresentada, o grupo parlamentar do Chega visa “corrigir uma assimetria que penaliza as galerias de arte, antiquários e leiloeiras portuguesas face aos seus congéneres europeus”.”A manutenção da taxa de 23% em Portugal coloca o nosso país, e os nossos operadores económicos deste sector, numa posição de clara desvantagem competitiva no contexto europeu e constitui um desincentivo ao investimento, à profissionalização do sector e à valorização dos artistas nacionais”, defende o Chega no documento.O primeiro Governo de Luís Montenegro aprovou em 11 de Março um diploma que transpõe parcialmente para Portugal uma directiva comunitária sobre as taxas do IVA, alterando o regime especial de tributação dos bens em segunda mão, objectos de arte, de colecção e antiguidades.A transposição desta directiva europeia, muito aguardada sobretudo por galeristas de arte e artistas, permitiria reduzir o IVA para 6%, que actualmente, em Portugal, só é aplicada quando a transacção é feita por artistas ou titulares de direitos. Embora o diploma tenha entrado em vigor em 24 de Março, as transacções de obras de arte continuaram a ser tributadas à taxa máxima do IVA, de 23%. Com a sua entrada em vigor em 1 de Janeiro, a directiva 2022/542 da União Europeia (UE) visa uniformizar o sistema de Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) dos Estados-membros, que até agora têm usado um sistema complexo, com diferentes valores.No PÚBLICO, Vera Cortês publicou há dias um artigo de opinião em que chamava a atenção para a dissonância do processo político em curso quanto à actividade das galerias. “No meio de uma transposição tardia de uma directiva europeia, e após declarações voluntaristas da então ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, que defendia a descida do IVA para 6%, o sector foi surpreendido com o oposto: um aumento exponencial da taxa de IVA das obras de arte para 23%. A decisão, alegadamente vinda do Ministério das Finanças e que apanhou a própria tutela da Cultura desprevenida, ignorou por completo as práticas de mercados como França (5,5%) e Alemanha (7%). De um dia para o outro, as galerias de arte — sector que gera receita, exportações e emprego qualificado sem subvenções — tornaram-se na única actividade cultural em Portugal a não beneficiar da taxa reduzida”.No final de Maio, na abertura da Feira Internacional de Arte Contemporânea ARCOlisboa, a presidente da Exibithio disse à Lusa que caso o IVA na transacção das obras de arte não fosse reduzido para 6%, vários galeristas portugueses podiam sair de Portugal.O panorama do IVA nas transacções das obras de arte na UE é muito diverso, com alguns países a ponderarem alterações no âmbito da directiva, outros a manter, como na Espanha, em 21%, mas França e Alemanha — que estão na vanguarda desta reforma — reduziram-no de 20% e 19% para 5,5% e 7%, respectivamente.

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