Homens reflectem sobre violência contra a mulher

Homens reflectem sobre violência contra a mulher

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TEXTO DE MICAELA MEQUE

O papel dos homens na promoção da igualdade género e na prevenção da violência contra as mulheres foi tema de debate em Maputo, com vista a estimular uma reflexão crítica e diálogo de maior inclusão através da masculinidade em Moçambique. Ao longo das discussões, foram identificadas eventuais barreiras culturais e institucionais, no sentido de incentivar compromissos colectivos para uma sociedade mais justa e inclusiva.

Na ocasião, o presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, destacou que, além da consciencialização, as instituições devem ser pro-activas no envolvimento e na emancipação feminina em diversas esferas sociais, sublinhando que a violência contra a mulher atinge a sociedade no seu todo. “Afecta as famílias das mulheres vítimas, assim como as dos próprios agressores, visto que sofrem com a situação. Não devemos pensar que a situação é encarada de ânimo leve”, frisou.

Acrescentou ainda que, para reverter à realidade, é fundamental o envolvimento de todos, sublinhando que só através de um esforço conjunto será possível construir uma cidade livre de violência e agressões.

O edil alertou para a necessidade de não se normalizar a violência, criticando o facto de as acções limitarem-se a encontros e palestras. Embora reconheça a importância daqueles momentos, considera que são insuficientes face à gravidade do problema. Por sua vez, o músico Stewart Sukuma defende que o modelo vigente de ensino já não responde às exigências da sociedade moderna, caracterizada pelo avanço das tecnologias e rápido acesso à informação.

“Há uma urgência em adaptar os conteúdos e métodos de ensino à realidade contemporânea. A desvalorização das disciplinas ligadas à formação humana, como a ética, cidadania e relações interpessoais, contribui para a falta humanismo contra as mulheres”, lamentou, destacando que continuam a ser tratadas como secundárias, quando deveriam ocupar um lugar central na educação dos alunos.

O artista enalteceu ainda o papel dos criadores culturais na sociedade, apontando a necessidade de observância de maior coerência entre o discurso e a prática nas campanhas sociais. Na sua óptica, no que aos artistas diz respeito, deviam ser preparados antes de serem integrados na sensibilização sobre o combate à violência, de forma a garantirem um impacto real junto das comunidades.

Além disso, alertou em relação à importância de ser resgatado o espírito da união comunitária, salientando, em jeito de recordação, práticas do passado em que os cidadãos participavam activamente em espaços colectivos de aprendizagem e partilha. Relativamente à igualdade de género, Sukuma defendeu a criação de condições que permitam às mulheres se desenvolverem plenamente, de modo a que sejam reconhecidas pelo seu mérito.

“Não se trata de incluir por obrigação, mas garantir oportunidades reais”, afirmou. Para Whitney Sabimo, activista social, há necessidade de se começar a debater a mudança de comportamento masculino, de modo a que as denúncias dos actos de violência também possam ser provenientes da parte dos próprios homens.

Acresce que a situação vai começar a mudar, efectivamente, quando, mais do que posicionamento em termos de projectos, nas artes, músicas, línguas literárias, homens artistas se posicionarem, todos os dias, na luta por esta causa.

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