O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, nomeou nesta segunda-feira um novo gabinete político, afirmando que este servirá para assumir “a direcção ao mais alto nível das forças políticas, sociais e da revolução bolivariana”.Depois de um desfile em Caracas, de juramento dos Comandos Bolivarianos Integrados do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), no poder, Nicolás Maduro anunciou a nomeação de um novo gabinete político, com 12 líderes do chavismo, a corrente política do Presidente venezuelano, inspirada pelas ideias do antecessor, Hugo Chávez.Maduro afirmou ainda que o poder da Venezuela assenta “no seu povo, na sua consciência, nas suas instituições e armas”, numa altura de tensão nas relações com os Estados Unidos.“O poder nacional da Venezuela do século XXI baseia-se no imenso poder do seu povo, na sua consciência, nas suas instituições, nas suas armas e na decisão de construir esta pátria acima de qualquer dificuldade”, disse.Os Comandos Bolivarianos Integrados serão responsáveis pela revisão dos planos de segurança das comunidades venezuelanas e pelo apoio às áreas de educação pública, saúde e obras públicas.Venezuelanos contra “imperialismo norte-americano”Os venezuelanos marcharam nesta terça-feira, em Caracas, contra o “imperialismo norte-americano” e em defesa do seu país e dos Comandos Bolivarianos Integrados do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), no poder.Vestidos maioritariamente de vermelho, a cor da revolução, com bonés na cabeça e cartazes com a foto do Presidente Nicolás Maduro, os venezuelanos concentraram-se na Avenida México de Caracas, a alguns quilómetros do centro, caminhando depois em direcção ao centro da cidade, até ao palácio presidencial de Miraflores.Durante a manifestação foram gritadas palavras de ordem contra o “imperialismo norte-americano” e reafirmado o compromisso dos manifestantes em fortalecer a organização territorial do PSUV, que se reorganiza com novos Comandos Bolivarianos Integrados.“Nas catacumbas do povo e das comunidades, juntos e juntas, criamos e desenhamos a Venezuela que queremos, que não é uma intervenção estrangeira, mas sim que os problemas sejam resolvidos por nós mesmos (…) Estamos com o presidente Nicolás Maduro, estamos rezando a Deus, de joelhos no chão para garantir a paz”, disse um dos participantes aos jornalistas.Darwin Muñoz frisou ainda que a manifestação desta terça-feira transmite essa mensagem clara e concisa ao mundo.Por outro lado, a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, alertou os jornalistas que estão a enfrentar “a era desesperada do imperialismo pelos recursos da Venezuela” e condenou as ameaças dos EUA para “se apropriar de enormes jazidas energéticas que são propriedade exclusiva dos venezuelanos”.
Recordou que o Presidente Nicolás Maduro enviou uma carta à OPEP+, denunciando a estratégia norte-americana de apropriar-se dos recursos venezuelanos através de “uma agressão militar letal”.“Hoje estamos em defesa da soberania da Venezuela e dos seus recursos”, disse à televisão estatal.Por outro lado, o presidente da Assembleia Nacional (parlamento), Jorge Rodríguez, declarou aos jornalistas que o PSUV garantirá a defesa de cada espaço da Venezuela e o direito do país a permanecer livre e independente.“Se a pátria for ameaçada, este é o partido, a partir das ruas, das comunidades, dos bairros, da organização [interna que], vamos defender o nosso direito à defesa, a uma vida plena. A partir deste partido, defenderemos cada centímetro do território sagrado da pátria”, disse sublinhando que os venezuelanos são alegres, mas também profundamente libertários.O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, no governo) tem 241.000 Comités Bolivarianos Integrados, constituídos.O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no sábado que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado “totalmente fechado”.“Todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de droga e traficantes de seres humanos, considerem o espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela como totalmente fechado”, escreveu o líder norte-americano na sua rede social, a Truth Social.Esta declaração de Trump surge numa altura em que os Estados Unidos intensificam a pressão sobre a Venezuela com um grande destacamento militar nas Caraíbas, incluindo o maior porta-aviões do mundo, e admitem ataques terrestres no território venezuelano na luta contra os cartéis de droga.A Venezuela condenou a mensagem do Presidente dos Estados Unidos classificando-a como uma “ameaça colonialista”.Sob o pretexto de combater o narcotráfico, os Estados Unidos mantêm desde Setembro um destacamento naval e aéreo em águas das Caraíbas próximas da Venezuela.Trump vai reunir-se nas próximas horas com o conselho de segurança nacional para discutir a relação com a Venezuela, avançou na segunda-feira a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.Venezuela acusa TPI de “colonialismo legal”O Governo da Venezuela acusou também nesta terça-feira o Tribunal Penal Internacional (TPI) de abandonar as suas obrigações para justificar o “colonialismo legal” contra Caracas, depois de o TPI ter anunciado o encerramento do escritório na capital venezuelana.“A Venezuela tem-se empenhado de boa-fé com a Procuradoria do TPI num processo que, ao que tudo indica, não se enquadra nas disposições do Estatuto de Roma, mas que procura satisfazer a agenda anti-Venezuela promovida pelos centros hegemónicos”, afirmou o ministério venezuelano dos Negócios Estrangeiros, na segunda-feira.O Governo da Venezuela considerou na plataforma de mensagens Telegram que “é muito óbvio” que não foram cometidos crimes contra a humanidade no país, algo demonstrado, “a todos os níveis”, num processo que denunciou como “manipulado para fins geopolíticos”.“Apesar disso, a Venezuela, num claro espírito de cooperação internacional, comprometeu-se com mecanismos de complementaridade positiva visando o reforço das capacidades nacionais para garantir a administração eficaz da justiça no nosso país, reafirmando que a jurisdição primária venezuelana é insubstituível”, acrescentou o ministério.Horas antes, o TPI anunciou que vai encerrar o escritório em Caracas por falta de “progresso real” com as autoridades venezuelanas. O escritório de cooperação técnica tinha sido criado graças a um acordo assinado em Junho de 2023.O Governo da Venezuela lamentou que, apesar de terem passado sete meses desde a inauguração do escritório em Caracas, o TPI “nunca nomeou pessoal para ocupar estes espaços”.“Também não formulou contributos e recomendações em relação às diversas iniciativas da Venezuela, desconsiderando irresponsavelmente as responsabilidades anteriormente assumidas”, destacou o executivo do Presidente Nicolás Maduro.Caracas acusou ainda a agenda do TPI no país de ser “muito clara: lavar as mãos e não fazer nada para depois instrumentalizar a justiça para fins políticos”.Apesar do encerramento do escritório na capital venezuelana, o procurador-adjunto do TPI Mame Mandiaye Niang garantiu que o organismo continua a investigar alegados crimes contra a humanidade cometidos na Venezuela.A investigação do TPI “mantém-se centrada e activa”, graças ao trabalho de uma equipa dedicada e unificada, juntamente com parceiros, “e, como sempre, guiados pelas evidências e pela lei”, afirmou Niang.A 2 de Setembro, o TPI confirmou o afastamento do Procurador-chefe Karim Khan da investigação sobre crimes contra a humanidade na Venezuela, após lhe ter sido concedido o prazo de três semanas para se retirar do caso, pela existência de “motivos razoáveis” para um eventual conflito de interesses.A investigação contra o Governo venezuelano começou em 2018, quando foram apresentadas denúncias de repressão durante protestos antigovernamentais ocorridos em 2014.
