Vigilância da gravidez de baixo risco avança na margem Sul após experiências em Portalegre e Loures

Vigilância da gravidez de baixo risco avança na margem Sul após experiências em Portalegre e Loures

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O projecto de vigilância de gravidezes de baixo risco por enfermeiros especialistas vai arrancar nos centros de saúde da Península de Setúbal, abrangendo grávidas sem médico de família, anunciou o Ministério da Saúde. “O projecto deverá iniciar-se nas unidades de cuidados de saúde primários da Península de Setúbal, apenas em grávidas de baixo risco que não têm médico de família”, adiantou o ministério de Ana Paula Martins em comunicado.Contudo, esta não é a primeira experiência deste género. Em Julho de 2024, perante o aumento da população residente e migrante e a falta de médicos de família na região de Portalegre e Elvas, a Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo (ULSAALE) avançou com o projecto “Maternidade + Próxima” que assegura, entre outras valências, a vigilância das grávidas de baixo risco sem médico de família por enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica (EESMO). Segundo noticiou a RTP, também na ULS Loures/Odivelas os enfermeiros especialistas em saúde materna passaram recentemente a vigiar o final das gravidezes de baixo risco para superar a falta de obstetras. Segundo a ULS, foi criada a consulta de acompanhamento de final de gravidez de baixo risco, dinamizada exclusivamente por EESMO.A ministra da Saúde vai reunir-se esta quinta-feira, no Hospital Garcia de Orta, em Almada, com enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica (EESMO) para analisar o projecto de vigilância de grávidas de baixo risco nos cuidados primários.Neste encontro estarão também presentes o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Luís Filipe Barreira, e o presidente da Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, Alberto Caldas Afonso.


A ordem apresentou recentemente ao Ministério da Saúde uma proposta para acompanhamento e vigilância da gravidez de baixo risco, de forma autónoma, pelos enfermeiros especialistas nas maternidades dos hospitais, onde cerca de 70% dos partos são de baixo risco.A proposta prevê ainda a possibilidade de acompanhamento por EESMO, nas consultas dos cuidados de saúde primários, de grávidas que não tenham equipa de saúde familiar, muitas das quais ficam sem vigilância ao longo de toda a gravidez.Como o PÚBLICO escreveu recentemente, a Ordem dos Médicos concorda que os enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica assumam, nos centros de saúde, a vigilância das grávidas de baixo risco sem médico de família, com algumas condições e desde que seja uma solução transitória e circunscrita às zonas mais carenciadas. Dois meses depois de ter manifestado “muitas dúvidas” sobre a proposta, o bastonário deu luz verde à medida numa carta enviada à ministra da Saúde. Era o passo que faltava para Ana Paula Martins avançar com a implementação da proposta da Ordem dos Enfermeiros e que poderá ajudar a reduzir o número de grávidas que chegam às urgências hospitalares com gestações não vigiadas.A Direcção-Geral da Saúde publicou em 2023 uma norma, que foi actualizada em 2024, que determina as funções dos EESMO nos cuidados de saúde hospitalares, prevendo, entre outros pontos, que o internamento hospitalar de uma grávida em trabalho de parto de baixo risco pode ser realizado por um enfermeiro especialista, com conhecimento de um médico de obstetrícia e ginecologia responsável, assim como o próprio parto.A OE pretende também que os protocolos de actuação sejam regulamentados para os cuidados de saúde primários (centros de saúde), lembrando que existe desde 2005 uma directiva comunitária sobre os EESMO, que até permite a prescrição de meios complementares de diagnóstico, como análises e ecografias, mas que nunca foi transposta para Portugal.No final de Setembro, numa audição parlamentar, a ministra da Saúde manifestou-se disponível para avaliar a proposta de acompanhamento das grávidas de baixo risco que não tenham médico de família por enfermeiros especialistas, alegando que não podem ficar sem vigilância na gravidez.

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