Karl Bushby, um antigo pára-quedista britânico que partiu em 1998 para dar a volta ao mundo a pé, está na recta final da sua jornada de 27 anos de regresso a casa, tentando lidar com a pressão das redes sociais num mundo que mudou profundamente.Caminhando sob chuva torrencial no noroeste da Hungria, Bushby, 56 anos, que começou a sua jornada no Chile, lembra que tinha uma câmara Instamatic de plástico, barata, com rolos de filme de 35 milímetros para documentar a viagem pela América Latina, e que a presença nos media era a última coisa em que pensava.O importante era sobreviver e encontrar comida suficiente antes de atravessar a perigosa Região de Darién, entre a Colômbia e o Panamá, rumo ao norte.
Karl Bushby começou a volta ao mundo a pé no Chile, em 1998
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“Naquela época, não havia redes sociais nem nada disso. Portanto, não havia motivo para tirar fotografias e filmar tudo… Era uma situação completamente diferente”, conta à Reuters, acrescentando que resistiu ao TikTok até este ano.“É quase uma pressão adicional, porque, de repente, há muitos olhos postos em nós. As pessoas querem saber tudo, como se já não te pudesses esconder. Mas, ao mesmo tempo, é uma ferramenta enorme.”A viagem de Bushby, chamada Expedição Golias, está a ser feita sem o uso de transporte motorizado. O britânico atravessou o Estreito de Bering, do Alasca à Rússia, a pé em 2006, e nadou pelo Mar Cáspio em 2024.Atrasos intermináveisInicialmente, esperava concluir a viagem de 36 mil milhas (cerca de 58 mil quilómetros) em oito anos, mas sofreu atrasos devido à crise financeira de 2008, à pandemia de covid-19, a mudanças geopolíticas e a restrições de visto.“Passámos por crises financeiras, guerras, pandemias… Tudo isso interfere seriamente na expedição, [mas] tens que seguir em frente”, afirma, acrescentando que espera chegar a casa entre Setembro e Outubro de 2026.
O antigo pára-quedista britânico espera regressar a casa em Setembro ou Outubro de 2026
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Os desafios mentais às vezes foram esmagadores, confessa Bushby enquanto empurra o atrelado, onde guarda a tenda e todos os seus pertences, ao longo de uma ciclovia lamacenta.“Às vezes, a monotonia é incrível. Estás em desertos e a paisagem não muda durante dias ou semanas. Isso pode ser um pouco perturbador. O mesmo acontece com o Árctico”, conta. “Parece que [o Árctico] está sempre a tentar matar-te.”Regressar a casa, no entanto, representará um desafio totalmente novo. “A melhor maneira de lidar com o fim de algo assim é começar uma coisa nova que seja muito desafiante e ficar ocupado o mais rapidamente possível”, acredita. “A minha outra paixão é a literacia científica e o envolvimento com a ciência. Então, é nisso que me quero envolver quando terminar aqui.”
