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Depois de quase duas décadas longes dos palcos portugueses, o ator Thiago Lacerda volta a Lisboa com o monólogo Quem Está Aí? – uma adaptação de três peças de Shakespeare – que ficará em cartaz de 29 de novembro a 3 de dezembro, em Lisboa, e, no dia 4 de dezembro, terá apresentação única (já esgotada) no Porto. O famoso galã de olhos verdes das novelas brasileiras, que, em 2004, encenou na capital portuguesa uma adaptação do Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago, conta que tem uma relação antiga e afetuosa com Portugal. Por isso, quando pode, ele atravessa o Atlântico.“Tive o prazer de voltar a Portugal algumas vezes e sempre me sinto em casa. Sempre me sinto muito bem-recebido e acolhido pelas pessoas. E toda a cultura do país, onde tenho muitos amigos, me interessa: a música, a literatura, a poesia, a gastronomia. E a sua história, com tudo que ela tem de complexa, difícil, contraditória e maravilhosa também”, avalia ele ao PÚBLICO Brasil.As três peças de Shakespeare, que resultaram no monólogo Quem Está Aí?, são Hamlet, Medida por Medida e Macbeth. O ator fala sobre a parceria que já dura 13 anos com o diretor Ron Daniels, brasileiro radicado em Nova York, nos Estados Unidos, e um dos principais diretores teatrais da britânica Royal Shakespeare Company de Stratford-upon-Avon. “Na verdade, o meu encontro com Hamlet e com Ron Daniels me levou a um processo de pesquisa em torno da obra de Shakespeare. A partir de Hamlet, nós caminhamos para Macbeth, Medida por Medida e Sonho de Uma Noite de Verão, que é um projeto que já está traduzido, mas que foi interrompido pela pandemia”, conta.O ator também fala sobre sua paixão pelo trabalho do dramaturgo inglês. “A obra dele é clássica e nos acompanha por toda a nossa jornada. Enquanto a gente tiver curiosidade a respeito da natureza humana, os textos dele são atuais e importantes”, afirma.Thiago levou o monólogo Quem Está Aí? para Angola, onde ele esteve pela primeira vez, antes de desembarcar em Portugal. “É uma viagem que já estava sendo preparada há muitos anos e, finalmente, agora, a gente conseguiu condições de visitar Luanda. Fiquei muito feliz em me apresentar lá”, comenta.Além do teatro, o artista pode ser visto no streaming. Ele interpreta o colunista social Ibrahim Sued na minissérie Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, que estreou no último dia 13 de novembro, na HBO Max. A atração é baseada em fatos reais dos anos de 1970. “Essa história faz parte da minha juventude. Eu me lembro bem de ouvir falar sobre esse caso, um crime terrível que marcou a história jurídica no Brasil, mudou a maneira como a gente entende hoje os crimes contra as mulheres. E essa série ser produzida 49 anos depois é uma forma de não deixar a memória dela se apagar, para que a gente não esqueça o que aconteceu com ela”, ressalta o ator, que também se recorda de Ibrahim Sued. “Ele era um personagem importante no cenário do jornalismo brasileiro daquela época, um pioneiro. Mas era uma figura com uma personalidade bastante controversa também. Talvez, na história, não tenha tanto espaço porque ele é um coadjuvante, mas que tem o papel de ser a pessoa que recebe a Ângela na alta sociedade do Rio e acaba apresentando ela ao Doca Street”.
Thiago Lacerda está em cartaz no teatro e na minissérie Ângela Diniz: Assassinada e Condenada
Marcelo Elias/divulgação
Sem vínculo com a TV Globo desde o ano passado, Thiago fez sua última novela, Amor Perfeito, em 2023. Mas, para quem sente saudade do galã na TV aberta, a emissora está reprisando Terra Nostra (1999). Ele entrega que até hoje o italiano Matteo, seu personagem na história, mexe com o público.“Vivi e vivo ainda o sucesso de Terra Nostra. E tenho saudade das pessoas, do trabalho, da maravilha que é fazer o que a gente ama. Adoro a minha profissão, e aquele foi um tempo lindo que eu guardo com muito carinho na memória. Mas é curioso, tantos anos depois, viver o sucesso novamente da novela, seja pelo prisma de uma geração que se lembra de Terra Nostra e vem falar comigo, seja por quem nem me conhece mas, por acaso, vê a novela porque a mãe vê. Então, observar essa garotada descobrindo uma boa história contada na TV é divertido e curioso. Terra Nostra continua me trazendo momentos muito especiais”, relata.Aos 47 anos, ele afirma que lida bem com a passagem do tempo. “Eu acho que uma maneira de lidar com isso é encarar a natureza das coisas, é aceitar que existe uma ordem natural contra a qual não vale a pena se indispor. Eu aceito o meu tempo, sou muito consciente desse processo. É preciso olhar para frente com alegria, esperança e cuidar da saúde, da alimentação, trabalhar bastante, mas descansar também, e estar entre os nossos. Estar com as pessoas que a gente ama acho que aplaca um pouquinho essa ideia da finitude. Como diz o Camus, ‘essa consciência de que o jogo está perdido é importante apesar de cruel’”, cita.Pai de Gael, de 18 anos, Cora, 15, e Pilar, 11, de seu casamento com a atriz Vanessa Lóes, 53, o ator admite que criar filhos é um desafio. “Especialmente no Brasil”, frisa. “E nessa realidade moderna, então, com a tecnologia atropelando o que há de humano, a gente tenta criar oportunidades, oferecer condições e, ao mesmo tempo, educar”.
Com 2026 batendo à porta, o ator declara que gostaria de montar seus espetáculos em todos os países de língua portuguesa, além de Portugal e Angola, no ano que vem. “Quem sabe Moçambique, Cabo Verde. A ideia é levar essa nossa experiência teatral para mais lugares e mais pessoas”, planeja.
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