O 25 de Novembro e a Europa democráticaOs actuais promotores do 25 de Novembro, que são a parte “direita” dos então derrotados, querem de facto minar a democracia que saiu vencedora do processo revolucionário de 1974-75. Fazem-no dividindo os portugueses e as próprias Forças Armadas num momento em que a extrema-direita e os seus correligionários põem em causa os fundamentos das democracias, seja na Europa, seja no mundo.Quando a União Europeia – sob ataque conjunto dos seus inimigos – trata de se unir e reforçar, é de enorme gravidade minar a unidade do país, para mais com o apoio de partidos e entidades cujo dever é o oposto, defender e fortalecer a democracia e a Europa democrática.Ricardo Lima, PortoDeturpações contrafactuais vs. verdade histórica Saúda-se a edição do PÚBLICO deste domingo, onde pudemos ler uma longa e esclarecedora entrevista de Rodrigo de Sousa e Castro, capitão do MFA, sobre a importância do 25 de Abril de 1974, data maior da História portuguesa. Aí, aborda os acontecimentos do 25 de Novembro de 1975 como aquilo que foram: um turbulento epifenómeno. “Não, não estivemos à beira de guerra civil”, diz Sousa e Castro, nem o 25 de Novembro se pode nunca sobrepor à verdadeira data libertadora, que foi o 25 de Abril…Trata-se de uma excelente entrevista de alguém que, como membro do Grupo dos Nove e pessoa envolvida nos acontecimentos, pode opinar sobre o verdadeiro sentido do 25 de Novembro, o que explica na sequência das “radicalizações do Verão Quente” e daquilo a que chama “ajuste de contas” entre facções militares após o “pronunciamento de Tancos”. Hoje, quando vemos estas datas lamentavelmente desvirtuadas e grosseiramente “revistas” por saudosistas e nostálgicos, populistas salazarentos, especialistas na plantação de ódios e meros ignorantes da nossa História, é preciso saber ouvir quem sabe…Uma razão, só por si, desvirtua as actuais “comemorações”: ironia da História, o 25 de Novembro produziu os mesmos derrotados que hoje querem assinalar a data adulterando e fazendo esquecer o seu verdadeiro sentido. As direitas mais revanchistas, aquelas que nunca esconderam o ódio ao 25 de Abril de 1974, têm nome, rosto, e agenda, e não se cansam de desvirtuar a História para criar lamentáveis narrativas contrafactuais…Eu sei-o bem: vivi os dois “momentos” com paixão juvenil e utopia a jorros, um no Largo do Carmo (o Dia da Liberdade), o outro nas confluências do Palácio de Belém (o fim do confronto iniciado com o “pronunciamento de Tancos”).Dito isto, quando se começa a reescrever grosseiramente a nossa própria História para legitimar um agendado ataque à nossa Constituição e, pior ainda, quando partidos que se dizem “sociais-democratas” aderem a tal mistificação, que mais cabe senão reforçar a valia da História-Ciência e lembrar que ela se ancora sempre em factos, documentos, testemunhos, dinâmicas e memórias com sentido? Caso da entrevista de Sousa e Castro.Vítor Serrão, SantarémCoronel Sousa e CastroO PÚBLICO prestou um inestimável serviço, e por isso merece felicitações, por ter ouvido o coronel Sousa e Castro e publicado a evocação histórica e vivida dos factos que ocorreram entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro. Para quem, como eu, teve a sorte de viver aqueles anos intensos, essa evocação é um resumo muito fiel do que ocorreu naqueles meses e vem repor nos carris o comboio da História, sem as fantasias que muitos lhe atribuem.Parabéns ao PÚBLICO e um agradecimento ao coronel Sousa e Castro, pelo seu rigor e frontalidade.Celso Pontes, PortoOs dois 25 de NovembroTodos os anos por esta altura lá vem o cisma do 25 de Novembro. Haverá sempre por todo o sempre esta discussão sobre a importância da data. Para uns, foi essencial para consolidar o 25 de Abril, para outros, é importante, mas porque terá provocado uma travagem e até uma regressão nos chamados “ideais de Abril”.Este cisma vem bem firmado nas posições de muitos com muitas certezas sobre o que se passou, quando muitas das vezes nem eram nascidos. Que seja devidamente comemorado como data importante que o é, deixem de quezílias inúteis e estéreis.António Lamas, Montijo
Cartas ao director
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