O governo sul-africano está a desenvolver diligências com vista à extradição de dois cidadãos moçambicanos detidos na província de Gaza, suspeitos de envolvimento no assassinato de um casal sul-africano, informou o ministro das Florestas, Pescas e Ambiente da África do Sul, Willie Aucamp.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!“A África do Sul vai agora iniciar um processo formal de extradição, para que os dois suspeitos sejam levados a julgamento naquele país pelo macabro crime”, afirmou Aucamp, citado pelo dailymaverick.
“Dissemos que estes criminosos seriam detidos e foi exactamente isso que aconteceu”, acrescentou, agradecendo ao Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) de Moçambique e às autoridades policiais sul-africanas pelos esforços “incansáveis” desenvolvidos na localização e detenção dos suspeitos.
Os corpos do casal sul-africano, Dina Marais, de 73 anos, e Ernst Marais, de 71, foram encontrados nas proximidades de Crooks Corner, na confluência dos rios Levubu e Limpopo, após o seu desaparecimento na área do Parque Nacional Kruger.
Ambos apresentavam múltiplos ferimentos provocados por arma branca. De acordo com as autoridades, trata-se do primeiro caso de duplo homicídio registado nos cerca de 100 anos de história daquele que é considerado um dos mais importantes parques de conservação da vida selvagem em África.
O casal era natural de Mossel Bay, na província do Cabo Ocidental, e foi visto pela última vez na região de Pafuri, a 20 de Maio.
A viatura em que seguia, uma Ford Ranger de cabina dupla, foi recuperada a 26 de Maio, na cidade de Chókwè, frequentemente apontada pelas autoridades sul-africanas como um dos principais destinos de viaturas roubadas naquele país.
A recuperação do veículo conduziu à detenção do primeiro suspeito, em Chókwè, no dia 1 de Junho, e do segundo, em Xai-Xai, no dia seguinte.
Segundo as autoridades, ambos os suspeitos terão confessado a prática dos crimes.
Cooperação transfronteiriça
As detenções ocorreram na sequência de uma operação transfronteiriça que envolveu o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), a Polícia Sul-Africana (SAPS, na sigla em inglês), o Conselho dos Parques Nacionais da África do Sul (SANParks, na sigla em inglês), a Comissão de Justiça da Vida Selvagem e os guardas do Parque Nacional Kruger.
Os suspeitos enfrentam acusações de homicídio e sequestro, sendo expectável que venham a ser formalizadas outras imputações à medida que as investigações avancem.
O ministro das Florestas, Pescas e Ambiente da África do Sul informou que Dina Marais e Ernst Marais serão hoje, sexta-feira, sepultados em Mossel Bay.
Willie Aucamp revelou ainda ter estabelecido contactos com os ministérios das Relações Internacionais e Cooperação e da Justiça, com o objectivo de garantir a extradição dos suspeitos para a África do Sul, onde deverão, nas suas palavras, “enfrentar todo o rigor da lei”.
Contudo, a Constituição da República de Moçambique estabelece, no n.º 4 do artigo 67, que “o cidadão moçambicano não pode ser expulso ou extraditado do território nacional”, circunstância que poderá constituir um obstáculo jurídico às pretensões das autoridades sul-africanas.
Por sua vez, a tenente-general Thembi Hadebe, comissária da Polícia da província de Limpopo, na África do Sul, elogiou a cooperação transfronteiriça, afirmando que as detenções representam “um marco significativo” na investigação e demonstram a eficácia dos esforços conjuntos no combate ao crime violento.
