Leopoldo II: os fantasmas do carniceiro de Bruxelas!

Leopoldo II: os fantasmas do carniceiro de Bruxelas!

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TEXTO DE ALMIRO SANTOS

O Aeroporto de Bruxelas deve ser a principal artéria que bombeia o sangue para o coração da Europa, “The Hearth of Europe”, como está inscrito logo à chegada nos inúmeros letreiros luminosos implantados nas velhas paredes do complexo aeroportuário que remonta de 1940, antes da eclosão da II Guerra Mundial. Os funcionários da migração levam o bordão do coração a peito, tanto que nos melhores dias de desembarque a inspecção aos passageiros pode levar cinco horas, entre o aborrecimento da espera na única fila dos cidadãos não pertencentes ao espaço europeu e a exagerada minúcia da vistoria dos agentes flamengos e valões, misturados com os já muitos belgas árabe-descendentes, sobretudo marroquinos.

A ideia com que se fica desta exasperante chegada ao Aeroporto de Bruxelas é que a Bélgica não tem muita vontade de hospedar os visitantes, muito provavelmente para esconder os fantasmas do rei do genocídio, Leopoldo II.

A verdade é que o país ainda está envergonhado com as atrocidades cometidas pelo mais sanguinário dos monarcas europeus na sua cruzada por África no século XIX, especialmente neste relato brutal de pilhagem das riquezas do Congo, com as quais se transformou Bruxelas e outras cidades do Reino dos Belgas no esplendor da Europa. Contudo, nem todas as marcas da vergonha foram apagadas na Bélgica, muito embora os protestos de 2020 tenham levado à remoção de vários bustos e monumentos de Leopoldo II, especialmente em Antuérpia, o maior centro mundial de diamantes, e também em Mons, uma cidade histórica conhecida pelo seu Campanário, património da UNESCO, mas muitos ainda permanecem em locais públicos, apesar de pichados, alimentando o debate sobre o passado colonial brutal do monarca no Congo.

O exemplo mais envergonhado surgiu da Corte de Kortrijk, a oeste de Flandres, região norte da Bélgica, que decidiu mudar o nome da Avenida Leopoldo II na cidade, com o argumento de que o monarca era um “assassino em massa”, mas mais recentemente uma outra cidade, desta feita a norte de Bruxelas, também manifestou o interesse de alterar o nome de uma rua que faz tributo ao antigo soberano belga “para evitar a vergonha entre os moradores”. Bruges e Gand devem seguir o exemplo nesta limpeza à sua toponímia…

O FANTASMA DO REI LEOPOLDO

Ben Affleck é um actor e cineasta norte-americano, e trazemo-lo aqui porque, em 2020, quando foi dos protestos em muitas cidades belgas, visando precisamente as estátuas do rei Leopoldo II, anunciou a produção do filme “King Leopold’s Ghost” (O Fantasma do Rei Leopoldo), focado nas atrocidades cometidas pelo monarca belga no Congo. Desde então, gerou-se a expectativa de ver, na grande tela e pela mão de dois renomados cineastas (Martin Scorcese está associado ao projecto), a reconstituição dos crimes cometidos no final do século XIX, sobretudo por parte das organizações dos direitos humanos, algumas compostas por congoleses descendentes directos das vítimas das atrocidades, entre as quais as mais medonhas e horripilantes, como seja a mutilação de membros. Nesta mesma Reportagem apresentamos as imagens correspondentes. Leia mais…

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