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Música alta, barracas abarrotadas de gente, diversão regada a álcool. Assim tem sido as noites em alguns pontos da cidade e província de Maputo, sobretudo aos fins-de semana. Entretanto, por detrás deste cenário de aparente entretenimento, existe uma realidade escondida: adolescentes envolvem-se sexualmente com terceiros em troca de dinheiro e bebidas alcoólicas.
A nossa Reportagem escalou alguns desses pontos. São ruas, esquinas e becos onde a presença de menores com idade entre 15 e 17 anos, que se prostituem, é visível. Locais como o antigo terminal de transporte de Albazine, conhecido como “Desapego”, e a primeira rotunda, na Estrada Circular de Maputo, são alguns exemplos. Mas, segundo apurámos, a situação repete-se também em zonas como Malhampswene, Matola-Gare e João Mateus, na Matola.
Nesses pontos, os residentes relatam a presença frequente de adolescentes em estabelecimentos comerciais. No terminal do Albazine, por exemplo, os moradores denunciam que o cenário se agravou devido à existência de barracas próximo às escolas Secundária Joaquim Chissano, Khurula e Básica de Albazine, que facilitam a venda e o consumo a menores, um acto proibido nos termos da lei. Contaram também que a presença de menores reduziu significativamente com o encerramento de alguns estabelecimentos, com destaque para o referido “Desapego”, que causava poluição sonora.
“Pedimos o encerramento daquela barraca, porque era frequente ver crianças a consumirem bebidas e a prostituírem-se. Estava demais suportar este comportamento”, disse um residente em conversa com o domingo.
Entretanto, nem todos moradores partilham da mesma opinião. Um frequentador daquele local de diversão disse que a actual estratégia dos adolescentes e não só é comprar álcool noutros estabelecimentos e ir consumir naquele ponto devido ao intenso movimento e ambiente animado que ali existe.
Por sua vez, Teresa Monjane, residente no quarteirão 13, em Albazine, lamenta a situação que se vive naquela zona e descreve: “quando anoitece não dormimos devido à poluição sonora. Há dias, decidimos reclamar aos proprietários e responsáveis pelo estabelecimento, mas deparamo-nos com um episódio lamentável. Crianças em trajes inadequados, bebidas alcoólicas e em abraços com pessoas adultas. Ficamos chocados”, lamentou.
Outra residente revelou à nossa Reportagem que “quando chega fim-de-semana, há activistas que distribuem preservativos para a protecção”.
PRIMEIRA ROTUNDA
Por volta das 23.00 horas, a Reportagem do domingo fez-se à primeira rotunda da “Circular de Maputo”, no troço que dá acesso aos bairros de Muhalaze, Boquisso, Mathlemele e Intaka, no município da Matola, província de Maputo. O local é tido como um dos principais focos de prostituição infantil. Ali, à medida que a noite avança, o cenário ganha novos contornos. A área é conhecida pelo fluxo constante de pessoas à numerosa quantidade de estabelecimentos comerciais, que vendem quase todos os tipos de bebidas alcoólicas.
RELATOS DE ADOLESCENTES
Vestida de mini-saia e blusa que deixa a barriga à mostra, J. da Catarina, de 16 anos, estava entre dezenas de jovens que consumiam bebidas alcoólicas numa da. Com sua garrafa de cerveja na mão, vezes sem conta, a adolescente apartava-se dos demais em busca de algo que não estava visível aos olhos de algumas pessoas ao seu redor. Mas, não tardou até que alguém fosse ao seu encontro. Depois de algum tempo, a jovem voltou ao convívio com os demais.
Em conversa com o domingo, a rapariga contou que frequenta esses ambientes nocturnos somente para se divertir. “Gosto de me divertir, é por isso que estou aqui”, disse. Leia mais…
