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TEXTO DE GENÉZIA GERMANO
A cidade de Pemba tem registado um crescimento populacional acelerado nos últimos anos, impulsionado pela chegada de pessoas provenientes de diferentes distritos da província de Cabo Delgado, em consequência do terrorismo que afecta algumas zonas da região.
Dados indicam que a população da cidade passou de cerca de 240.000 em 2017, para mais de 500.000 em 2025, realidade que coloca novos desafios à capacidade de resposta das autoridades municipais.
Perante este cenário, surgem preocupações quanto à pressão sobre os serviços públicos, a habitação e as infra-estruturas urbanas. Em entrevista ao domingo, o presidente do Conselho Municipal de Pemba, Satar Abdul Gani, reconheceu que o fenómeno representa um dos maiores desafios actuais para a gestão da cidade. Segundo explicou, os números revelam uma transformação profunda no perfil populacional do município ao longo da última década.
“O desafio é grande, porque em 2017 a população de Pemba era de cerca de 240.000 habitantes. Hoje, por conta dos nossos irmãos que procuram a cidade devido à insegurança e aos ataques terroristas, temos o dobro”, afirmou. De acordo com o edil, os registos municipais indicam que, somando a chegada de novos residentes ao crescimento natural da população, o número de habitantes já ultrapassa largamente as estimativas de anos anteriores.
“Quando fizemos o registo das entradas e também das possíveis retomas às suas residências, o rácio que temos adicionado ao crescimento natural da população, mostra que estamos com mais de 500.000 habitantes na cidade de Pemba”, acrescentou.
SUPERLOTAÇÃO NAS ESCOLAS
Entre os sectores mais afectados pela nova realidade demográfica, destaca-se o da Educação. Segundo o presidente do município, várias escolas registam superlotação que compromete o processo de ensino e aprendizagem. “Hoje temos escolas com mais de cem crianças numa única sala de aulas, e isso não é sustentável”, reconheceu.
Para enfrentar este cenário, o Conselho Municipal elaborou um plano de estrutura urbana que pretende orientar a expansão da cidade e permitir a criação de novas infra-estruturas sociais. “Desenvolvemos, principalmente, o plano de estrutura urbana, onde definimos zonas de expansão para grandes escolas e para outros serviços. No futuro, as construções terão de olhar para a verticalização, e não apenas para a expansão horizontal, para podermos responder a esta pressão populacional”, explicou. Leia mais…
