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TEXTO DE PERCIA MACHUZA
Alguns estabelecimentos de produção e venda de pão adoptaram medidas de contenção, passando a vender apenas cinco pães por família, de forma a garantir que mais cidadãos tenham acesso ao produto na cidade de Xai-Xai, província de Gaza.
A medida serve para manter o “stock” e garantir a disponibilidade deste alimento essencial para as familias neste momento de incertezas caracterizado por cortes das vias de acesso com os mercados de aquisição de matéria-prima, e sem alternativas viáveis para o transporte de mercadorias, uma vez que o porto de Chongoene ainda não começou a operar.
Entretanto, numa ronda efectuada pelo nosso jornal na cidade de Xai-Xai, apuramos a subida significativa de preços de produtos de primeira necessidade desde a manhã desta terça-feira, uma situação que preocupa a população, sobretudo num contexto de emergência.
Entre os produtos mais afectados está o arroz, que anteriormente era vendido a cerca de 1.200 meticais e que agora custa entre 1.800 e 2.000 meticais. O óleo de cozinha, que variava entre 500 e 700 meticais, passou a custar entre 800 e 1.000 meticais.
A cebola está a ser comercializada entre 600 e 800 meticais, enquanto o feijão custa actualmente 200 meticais o quilo. Já o saco de carvão de 50 quilos é vendido a 1.200 meticais.
Para além da subida generalizada dos preços, a cidade enfrenta escassez de peixe carapau, uma das principais fontes de proteína para muitas famílias. Esta situação poderá agravar o risco de insegurança alimentar, numa altura em que adquirir a cesta básica se tornou, para muitos, um verdadeiro “calcanhar de Aquiles”.
O nosso jornal escalou vários estabelecimentos comerciais que actualmente estão a funcionar no vulgo “Xiquelene” , tendo constatado um cenário considerado alarmante pelos consumidores.
É o caso de Maria Sitoe, que procurava comprar arroz e cebola, descreveu a situação como “caótica e lamentável”. Segundo ela, num momento de cheias, os preços deveriam manter-se estáveis, uma vez que o stock actualmente à venda já se encontrava nos armazéns há algum tempo. “Vou para casa porque o dinheiro que trago não é suficiente para comprar os produtos de que preciso”, lamentou.
Por sua vez, Simão Mabunda considera que a situação é crítica e prevê dias ainda mais difíceis. “Não serão todos que conseguirão adquirir estes produtos devido aos preços elevados”, afirmou.
Para além do aumento do custo de vida, a população enfrenta constrangimentos no acesso aos serviços bancários.
Com as inundações registadas na baixa da cidade, Xai-Xai conta actualmente com apenas três instituições bancárias em funcionamento, que não conseguem responder à elevada procura.
No total, existem apenas seis caixas automáticas (ATMs) operacionais para toda a cidade.
