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POR SOUSA GASTÃO, NUTRICIONISTA
Todos os anos, desde 1988, o mundo assinala o Dia Mundial da Sida a 1 de Dezembro, para recordar que o HIV não é apenas um fenómeno clínico, é desigualdade, é história, é sobrevivência. Em 2025, a OMS escolheu o lema “Zero mortes por SIDA: tratar, cuidar e prevenir”, um apelo directo à acção que nos obriga a olhar para além do medicamento e a reconhecer a alimentação como parte do tratamento.
Em Moçambique, esta mensagem tem peso real. Os dados do Banco Mundial/UNAIDS mostram que o país permanece entre os mais afectados da África Austral. O INSIDA 2021 estima que 12,5% dos adultos (15+ anos) vivem com HIV, o que corresponde a cerca de 2,1 milhões de pessoas. Não são apenas números, são famílias, crianças, avós e trabalhadores que resistem todos os dias.
A TARV aumentou a esperança de vida, mas sobreviver não é o mesmo que viver. Sem nutrição adequada, o corpo enfraquece, o medicamento perde eficácia e a qualidade de vida diminui. Desde 2005, a OMS reconhece a nutrição como um pilar da resposta ao HIV. Comer bem deixa de ser rotina, torna-se terapia.
POR QUE A ALIMENTAÇÃO IMPORTA?
O HIV aumenta as necessidades energéticas, pode reduzir o apetite, dificultar a absorção e acelerar a perda de peso. Quando o organismo se fragiliza, o risco de infecções e da progressão da doença aumenta. Ao mesmo tempo, cresce o número de pessoas em TARV com excesso de peso, colesterol elevado e diabetes, especialmente em áreas urbanas com alta exposição a ultraprocessados. O desafio é duplo: prevenir a desnutrição, as doenças crônicas e evitar o excesso de peso. Uma alimentação equilibrada torna-se essencial para manter a força, a imunidade e a adesão ao tratamento. Leia mais…
