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• Herminia Machel, jornalista moçambicana
A jornalista moçambicana Herminia Machel diz que a ocupação de cargos de chefia continua aquém do desejado no jornalismo moçambicano.
Machel, que falava há pouco numa Mesa-Redonda sobre Género e Mídia em Moçambique, no âmbito da campanha global dos “16 Dias de Activismo pelo Fim da Violência Baseada no Género”, lembra que enquanto estava na redacção da Televisão de Moçambique (TVM) era a única mulher no meio de 10 directores “o que é ridículo”.
Entretanto, reconhece que a mulher ainda não consegue alcançar cargos de chefia, em parte, por responsabilidade própria. “Digo isto porque a mulher prefere ter um homem a chefiá-la, ao invés de uma mulher igual a si. Ou seja, as mulheres não são unidas e não se apoiam. E os homens são diferentes. Eles apoiam-se muito. Falo por experiência própria”, explica e acresce: “não há relações humanas entre as jornalistas. Uma quer pisar a outra, porque quer subir. Essa nossa mentalidade tem de mudar”.
Refira-se que o encontro, organizado pelo MISA – Moçambique, reune profissionais da comunicação social, representantes governamentais e sociedade civil, com o objectivo de promover uma reflexão crítica sobre a igualdade de género, práticas jornalísticas inclusivas e segurança das mulheres jornalistas.
