Guilherme Alexandre, rei dos Países Baixos, prometeu nesta segunda-feira, 2 de Dezembro, que o tema da escravatura não será tabu durante a sua visita ao Suriname, país na América do Sul que foi colonizado pelos holandeses durante mais de 300 anos. Esta é a primeira visita de membros da família real holandesa ao Suriname em quase cinco décadas.Guilherme dos Países Baixos e a rainha Máxima chegaram a Paramaribo, capital do Suriname, no domingo, uma semana após o país ter comemorado 50 anos de independência. A visita real durará três dias e o rei prometeu não “fugir” do tema da escravatura.“Não fugiremos da história, nem dos seus elementos dolorosos, como a escravatura”, garantiu Guilherme Alexandre nesta segunda-feira, citado pelo jornal britânico The Guardian.
Rei Guilherme Alexandre e a Rainha Máxima a cumprimentar membros do governo do Suriname, no domingo, durante a visita oficial a Paramaribo
Ranu Abhelakh / REUTERS
Em reunião com a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, o rei Guilherme afirmou que estava “ciente do quanto isso ressoa profundamente nos descendentes de escravos e nas comunidades indígenas”. E disse: “Estamos ansiosos por dialogar com eles.” Para a visita real, crê-se que está previsto Guilherme e Máxima reunirem-se com representantes dos descendentes de escravos, povos tradicionais e grupos indígenas.O monarca acrescentou que está ansioso por aprofundar os laços com a antiga colónia “com base na igualdade e no respeito mútuo”. Guilherme falou em construir um futuro comum, que “só faz sentido se levarmos em conta a base sobre a qual nos apoiamos. Essa base é o passado comum”.
Em 1667, a Holanda colonizou o Suriname após a troca do território, na altura colónia britânica, com Inglaterra. Entre os séculos XVI e XVII, os holandeses transportaram cerca de 600 mil escravos. A 1 de Julho de 1863, a escravatura foi formalmente abolida no Suriname e noutros territórios holandeses, mas a prática só chegou ao fim depois de uma década, em 1873.Em Dezembro de 2022, a escravatura e a colonização foram temas que voltaram a estar em cima da mesa e os Países Baixos emitiram um pedido de desculpas oficial através do então primeiro-ministro Mark Rutte, que foi seguido, no ano seguinte, por um pedido de desculpas do rei.O Estado e a Escravidão, estudo de 2023, encomendado pelo Ministério do Interior dos Países Baixos, revelou que a família real ganhou 545 milhões de euros entre 1675 e 1770 com as colónias, onde a escravatura era generalizada. Em 2022, o rei Guilherme anunciou que iria deixar a carruagem real dourada que utilizava em ocasiões oficiais, porque tinha imagens da escravatura nas laterais.
