Seguro pede “convergência” na sua candidatura, Pinto garante que vai “até ao fim”

Seguro pede “convergência” na sua candidatura, Pinto garante que vai “até ao fim”

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António José Seguro utilizou o debate televisivo com Jorge Pinto desta segunda-feira, a propósito das eleições presidenciais, para apelar à “convergência” de votos à esquerda na sua candidatura, de maneira a chegar à segunda volta. Mas o candidato apoiado pelo Livre não admitiu desistir a favor do antigo secretário-geral do PS, assegurando que vai levar a sua candidatura até ao fim.No debate na RTP, António José Seguro considerou que “o país está desequilibrado politicamente”, visto que há uma predominância da direita nos órgãos do poder, e concordou com a ideia defendida por Jorge Pinto no debate com Marques Mendes de que não se podem colocar “os ovos todos no mesmo cesto”, sob pena de o poder se tornar “hegemónico”. O antigo líder do PS usava, assim, o argumento de Pinto contra o próprio, para defender que os votos no candidato do Livre devem concentrar-se em si.”Estou a lutar para que o centro-esquerda e a esquerda democrática tenha presença na segunda volta e isso só é possível com convergência de votos na minha candidatura”, apelou, garantindo que o seu “inimigo” não é Jorge Pinto. O candidato apoiado pelo Livre assegurou que Seguro também não é o seu inimigo, mas não cedeu ao desafio. “Muita água ainda vai correr (…). Vou até ao fim”, assegurou.Seguro insistiu: mostrou-se “convencido” de que chegará à segunda volta, mas sinalizou que “cada um deve assumir responsabilidades” e que os eleitores não devem sentir que foi pelo seu voto que não conseguiu passar à segunda volta.


As divergências não ficaram por aí. Logo no arranque do debate, Pinto responsabilizou Seguro pela incapacidade da esquerda de encontrar um candidato comum, já que se apresentou primeiro e isoladamente, colocando “pressão no PS e noutros potenciais candidatos que poderiam ser mais congregadores”.Além disso, mostrando ter uma “divergência de fundo” com o socialista, Pinto atacou o antigo líder do PS por ter defendido a “abstenção violenta” no Orçamento do Estado para 2012 e questionou que, com esse legado, Seguro tenha capacidade para defender a Constituição.Seguro defendeu-se, argumentando que avançou para a corrida a Belém porque “os partidos não têm o domínio das eleições presidenciais” e que deu provas de que defende a Constituição quando se opôs a que a lei fundamental colocasse limites ao endividamento e ao défice.Daí, o debate passou para o pacote laboral proposto pelo Governo. Ambos criticaram o executivo por não ter incluído as alterações que pretende fazer à lei laboral no programa eleitoral e por não propor soluções para tornar a economia mais produtiva, diminuir a desigualdade salarial e dar oportunidades aos jovens, como disse António José Seguro. Ou para combater a precariedade, resolver o fosso salarial e dar mais condições às famílias, como considerou Jorge Pinto.Contudo, se Pinto diz claramente que “levaria ao Tribunal Constitucional” a reforma do Governo e usaria o “veto político” porque “não responde” às necessidades do país, Seguro não é tão taxativo e considera mesmo que Pinto “agiria mal”. O antigo líder do PS, que diz estar mais preocupado com as alterações propostas do que com a greve geral, admite que, “neste momento, há uma clara inclinação de não aceitar a proposta”, mas defende que o Presidente da República “não deve interferir enquanto o processo de negociação está a decorrer”.Um tema que expôs maiores diferenças foi o da revisão constitucional. Os dois rejeitam a necessidade de alterar a Constituição. Mas uma revisão “drástica” do texto fundamental, como a mudança dos limites materiais ou a eliminação do direito à integridade pessoal, feita por “apenas um espectro político”, levaria Pinto a dissolver o Parlamento. Já Seguro defende que é preciso “estabilidade” e que a campanha das eleições seguintes se tornaria num “plebiscito à Constituição”. “Ficou claro quem seria o contrapeso democrático”, concluiu Jorge Pinto.Sobre os problemas na saúde, os candidatos convergiram na necessidade de melhorar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e com propostas semelhantes: o candidato apoiado pelo PS quer exigir aos partidos que se “sentem à mesa” para criarem um “compromisso de médio e longo prazo” que seja capaz de “resistir a ciclos eleitorais”, ao passo que o candidato apoiado pelo Livre propõe a criação de uns estados gerais sobre o SNS para encontrar “soluções a longo prazo”.O socialista e o deputado do Livre também alinharam na defesa da imigração. Pinto defendeu que “a diversidade sempre foi uma força” e que é preciso olhar para os imigrantes “como uma oportunidade” e não passando ao “ataque”. Por sua vez, Seguro apontou que há “pressões” decorrentes da imigração “que precisam de ser corrigidas”, mas considerou que é benéfica “desde que organizada e integrada”.

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