O primeiro sector foi concluído há cinco anos, o segundo acabou de entrar em fase de obra e o terceiro ainda está em fase de revisão. Os projectos de arquitectura dos acessos entre a zona ribeirinha do centro histórico à cota mais alta da cidade foram escolhidos em 2017. Mas, neste momento, para subir as encostas do Porto com ajuda de sistemas mecanizados ainda só é possível fazê-lo nas escadas rolantes do Monte dos Judeus, em Miragaia. O elevador que vai ligar a Rua da Restauração aos Jardins do Palácio de Cristal só agora começou a ser construído. E o projecto para ligar a cota baixa de Miragaia às Virtudes já não será igual ao original e só está previsto que a empreitada seja adjudicada em meados de 2026, quase dez anos depois de se conhecerem os primeiros desenhos.Em 2017, a proposta conjunta dos gabinetes de arquitectura portuenses Depa e Pablo Pita (Pablo Rebelo e Pedro Pita) foi a escolhida pela Câmara do Porto para ser posta em prática como solução para o dossier Percursos Pedonais – Ligações Mecanizadas. Quando a autarquia anunciou o concurso pedia que se mitigassem as dificuldades de locomoção da população de Miragaia, sobretudo a mais envelhecida.Um dos sectores ficou pronto ainda no mandato de Rui Moreira, o das Escadas do Monte dos Judeus, inaugurado em 2020 – usadas por uma média mensal de 18.677 utilizadores (números da STCP Serviços). Os outros dois sectores em falta já será Pedro Duarte (PSD), o novo presidente da câmara, a inaugurá-los.Nesta terça-feira, o gabinete de comunicação do município anunciou que arrancou a empreitada para a construção do elevador que vai ligar a Rua da Restauração aos Jardins do Palácio de Cristal. A obra, a cargo da empresa municipal GO Porto, cujo valor da adjudicação ascende a 1,9 milhões de euros, deverá estar pronta em 2026, de acordo com a mesma fonte.“O novo equipamento permitirá uma transição suave entre a Rua da Restauração e o interior dos jardins, através de um percurso que inclui uma paragem intermédia no patamar das antigas estufas, actualmente desactivadas. O elevador será composto por materiais que dialogam com os materiais característicos da cidade — o granito, o ferro e a pedra”, lê-se em nota enviada à imprensa.Depois do arranque desta obra, que é candidata a financiamento europeu através do programa Norte 2030, na categoria de “projectos de mobilidade urbana e redução das emissões de carbono”, falta saber quando vai acontecer o mesmo ao sector das imediações do Jardim das Virtudes.Alterações nas VirtudesQuestionada pelo PÚBLICO, o gabinete de comunicação do município dá conta de que este sector do projecto foi suspenso em 2021, tendo sido abandonada a solução de construção de “uma ligação vertical em elevador” entre “a Calçada das Virtudes (fonte das Virtudes) e o Jardim das Virtudes ou miradouro das Virtudes”.Recorde-se que o que estava previsto no projecto de arquitectura vencedor de 2017 era criar uma solução, a cota baixa, “com escadas mecanizadas entre a zona de Miragaia e a zona da fonte das Virtudes ou Calçada das Virtudes”. E a referida anteriormente, em elevador, à cota alta. Mas, desde há cerca de quatro anos, só está previsto serem construídas as escadas rolantes. A solução em elevador vai ficar na gaveta.O gabinete de comunicação da câmara explica que, em 2021, “o desenvolvimento das ligações à cota alta e a cota baixa”, em elevador, “foi suspensa pela Câmara do Porto, após parecer desfavorável da Direcção-Geral do Património Cultural”.No mesmo ano, “o anteprojecto teve continuidade”, mas aplicado só à cota baixa, que passou a designar-se projecto Ligações Mecanizadas-Virtudes. Para atrasar o processo contribuiu ainda, após realizados estudos complementares, ter sido identificada “a existência de conflito entre a instalação das escadas mecanizadas e a galeria de Rio Frio”. A autarquia explica que, em 2022, foi necessária a realização de “um projecto específico de desvio da linha de água (Rio Frio)” e o “respectivo licenciamento junto da APA (Agência Portuguesa do Ambiente)”, que inicialmente não estava previsto.O projecto de licenciamento do “desvio da galeria de Rio Frio” foi aprovado pela APA “em Fevereiro de 2024”. Depois de ser retomado o anteprojecto para o sector das Virtudes, que agora só existirá na “ligação a cota baixa” acabou por ser aprovado em Janeiro de 2025.Neste momento, o projecto está em fase de revisão. A autarquia esclarece que, de acordo com o código de contratação pública, é preciso que este tipo de procedimento seja revisto sempre que as obras representem um “investimento superior a 400 mil euros”. A adjudicação da empreitada, adianta a câmara, está prevista para “meados de 2026”.
O que falta fazer no Porto para se subir Miragaia de elevador ou de escada rolante
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!
