Espectáculos das coreógrafas Lia Rodrigues e Diana Niepce, uma exposição de João Penalva e uma peça da companhia de teatro mala voadora integram a programação entre Fevereiro e Agosto de 2026 da Culturgest, em Lisboa, foi hoje anunciado. Divulgada esta quarta-feira em comunicado, a temporada, “que se expande até ao Planetário e atravessa temas como a cidade, o humor e a memória”, reúne estreias nacionais e internacionais, bem como “cruzamentos entre música, dança e o cinema”.A programação de teatro e dança abre com WonderLandi, do coreógrafo Lander Patrick, “uma homenagem que evoca o poder da música, a sua presença na natureza e as diferentes formas como é celebrada em várias culturas ao longo da História”. O espectáculo terá apresentações entre 5 e 7 de Fevereiro.O britânico Alexander Zeldin leva à cena, entre 26 e 28 de Fevereiro, Prendre Soin/Cuidar, revisitando o primeiro capítulo da sua trilogia sobre desigualdades. A Culturgest recorda que a peça “nasce de um período de imersão na vida profissional de trabalhadores de limpeza contratados em Inglaterra ao abrigo dos chamados contratos zero hours [em que um empregador não garante um número mínimo de horas de trabalho ao trabalhador]”.A coreógrafa Diana Niepce leva à Culturgest, entre 26 e 28 de Março, Hornfuckers — Do what they tell you, um espectáculo “que questiona a norma e a sua lógica desafiando a gravidade; “lirismo” e “violência” cruzam-se “na representação de corpos em permanente confronto com os seus limites”.Para Maio está marcada a apresentação da peça Hotel Paradoxo, de Alex Cassal (da companhia Má-Criação) e com o actor Marco Mendonça. “Uma experiência híbrida de teatro, cinema e astrofísica”, instalar-se-á no Planetário da Marinha, na zona de Belém, entre 21 e 23 de Maio, por ter sido “concebida para acontecer sob a abóbada da [sua] sala de projecção, como se o espectador observasse para um céu repleto de estrelas”.
Cuidar, do britânico Alexander Zeldin, é o primeiro capítulo da sua trilogia sobre desigualdades
JEAN-LOUIS FERNANDEZ
Em Junho, nos dias 2 e 3, a coreógrafa brasileira Lia Rodrigues leva ao palco da Culturgest Borda, “espectáculo que celebra a imaginação para lá das fronteiras — geográficas, políticas, sociais — e propõe a sua transformação através da criação colectiva”.Pólo Norte, da mala voadora, encerra a programação de teatro e dança (26 de Junho a 4 de Julho): “partindo da ideia de que o Paraíso existiu na Terra e permanece preservado sob o gelo, inacessível desde a expulsão de Adão e Eva”, a peça “imagina que o degelo possa reabrir esse Éden à humanidade e questiona o significado de regressar a esse paraíso perdido”.A programação de música, que ainda não está encerrada, inclui três concertos de artistas internacionais: Diamanda Galás, a 11 de Fevereiro, Oneohtrix Point Never, a 14 de Abril, e Tortoise, no dia 20 do mesmo mês.Nas artes visuais, o destaque vai para a exposição de celebração dos 30 anos da obra do artista plástico João Penalva, cujo percurso se iniciou pelo ballet e pela dança contemporânea. A mostra Personagens e Intérpretes, que ocupará duas galerias na Culturgest Lisboa, estará patente entre 17 de Abril e 12 de Julho.Já na Culturgest Porto estará patente, entre 7 de Março e 28 de Junho, Um Silabário por Reconstruir IV, que reúne obras da Colecção de Arte Contemporânea do Estado (CACE), da Colecção da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e da Colecção António Cachola.
Na primeira metade de 2026, a Culturgest “volta a estar fora de portas”, apresentando, no Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes, MATER, exposição criada a partir da Colecção da CGD “que inclui projectos colaborativos e adaptações a diferentes espaços”. Esta exposição poderá ser visitada entre 11 de Abril e 21 de Junho.Nas conferências e debates serão abordadas “questões contemporâneas centrais”. No ciclo Genoma Urbano: Cidades como Organismos Vivos serão debatidas “as transformações das cidades e o direito à cidade enquanto organismo vivo”.No Melhor Chá Cai a Mosca, ciclo de conferências sobre humor associado ao espectáculo Uma Mosca no Nosso Chá, que a Formiga Atómica estreará em Outubro de 2026, analisará o humor “como forma de desafiar normas sociais”.A programação inclui ainda três conversas: Afectos Nacionais questiona como as emoções moldam a identidade e o nacionalismo; Viagem no Planeta Tempo cruza ciência e teatro em torno do tempo; e Restaurar o Futuro propõe uma reflexão pós-colonial sobre restituição, criatividade e responsabilidade partilhada.A 13 de Maio, a Culturgest exibe o filme Sulphur Edges, de Meg Stuart, “um encontro coreográfico moldado pela paisagem dos Açores”. Entre 30 de Abril e 10 de Maio, a instituição acolhe também a 23.ª edição do festival IndieLisboa. A programação completa pode ser consultada no site oficial da Culturgest.
