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Em 2024, foram registrados 1.631 casos de violência doméstica e de gênero contra mulheres brasileiras que vivem no exterior. O número representa um aumento de 4,8% em comparação a 2023, quando foram anotados 1.556 episódios.Os dados foram divulgados nesta terça-feira (25/11), por meio de uma cooperação entre o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Observatório da Mulher contra a Violência, órgão ligado ao Senado Federal.Entre os países com maior número de registros de violência contra brasileiras estão Estados Unidos (397), Bolívia (258), Itália (153), Portugal (144) e Reino Unido (102).A Bolívia, onde vivem 75 mil brasileiros, teve o maior aumento de registros de violência — um salto de 821% nos casos em comparação com 2023. OS EUA ficaram em segundo lugar, com aumento de 63% dos episódios. O país tem a maior comunidade de brasileiros no exterior, com cerca de 2 milhões de pessoas.Retirada de menoresNo ano passado, por exemplo, houve o lançamento do serviço de atendimento psicológico especializado a mulheres em situação de violência no Consulado-Geral do Brasil em Santa Cruz de la Sierra, a maior cidade da Bolívia. Neste ano, foi a vez de o Consulado-Geral de Lisboa lançar o Espaço da Mulher Brasileira (EMUB).Para a antropóloga Beatriz Accioly, do Instituto Natura, o aumento dos registros de violência contra brasileras pode ser resultado de uma melhora dos serviços consulares para receber esse tipo de denúncia.”É um problema que está ainda mais invisibilizado do que outras violências contra as mulheres que estão no Brasil. Uma mulher brasileira no exterior tem que primeiro reconhecer e nomear que ela está em uma situação de violência, saber que ela pode, independentemente do contexto imigratório dela, procurar as autoridades para ser acolhida, e ela tem que ter coragem”, diz Accioly.Nestes casos, “as barreiras são ainda maiores do que para uma mulher que está no próprio país, que são bem grandes”, afirma a antropóloga. Que acrescenta: “A demanda está represada, mas quando o serviço chega, ele é utilizado”.Os dados da pesquisa mostram que, em 2024, as repartições consulares brasileiras registraram 71 casos de subtração internacional de menores de 18 anos, uma redução de 26% em relação a 2023. Entre os países que computaram casos deste tipo estão Portugal (8), Reino Unido (7), Suíça (7), Estados Unidos (6) e Argentina (5).A subtração de menores atinge, principalmente, as brasileiras que enfrentam processos de disputa de guarda de filhos fora do país, tanto com os pais, quanto com a família paterna. No mesmo ano, foram registrados 723 casos de disputa no exterior, representando queda de 11% em relação a 2023. Os países com maior número de registros são Alemanha (220), EUA (94), Portugal (90), Espanha (68) e Itália (57).
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