Parece que a Tesla abriu o champanhe um pouco cedo de mais no que toca à chegada da sua tecnologia de “condução autónoma total” à Europa. Num episódio ilustrativo da tensão entre o ritmo acelerado das tecnológicas e a prudência dos reguladores, a empresa de Elon Musk e a autoridade de trânsito dos Países Baixos (RDW) protagonizaram um desentendimento público sobre o futuro da condução assistida no velho continente.Tudo começou no passado fim-de-semana com uma publicação da Tesla na rede social X (antigo Twitter), onde a marca norte-americana anunciou que a RDW se tinha comprometido a conceder a aprovação nacional para o sistema full self-driving (FSD) em Fevereiro de 2026 — o que poderia levar à aprovação posterior em toda a União Europeia. A empresa foi mais longe, incentivando os utilizadores a contactarem o regulador para “expressar o entusiasmo e agradecer” por tornar essa aprovação possível tão rapidamente.
Tesla has been working hard toward shipping Full Self-Driving (Supervised) in Europe for over 12 months now. We have given FSD demos to regulators of almost every EU country. We have requested early access, pilot release programs or exemptions where possible. We have developed…— Tesla Europe & Middle East (@teslaeurope) November 22, 2025
O “balde de água fria”A realidade, contudo, aparenta ser mais complexa do que a publicação da Tesla deixa transparecer. A RDW, entidade responsável pelo licenciamento e registo de veículos nos Países Baixos — e que serve frequentemente como porta de entrada para homologações em toda a União Europeia —, viu-se obrigada a corrigir a narrativa.Num comunicado oficial publicado no próprio site, o regulador neerlandês esclareceu que não existe qualquer promessa de aprovação final. O que está agendado para Fevereiro de 2026 é, na verdade, uma demonstração supervisionada do sistema FSD.“A RDW e a Tesla sabem que esforços precisam de ser feitos para tomar uma decisão sobre isto em Fevereiro. Se o calendário será cumprido, resta saber no próximo período. Para a RDW, a segurança [do tráfego] é primordial”, lê-se na nota do regulador.O que é, afinal, o FSD?Para quem não acompanha a tecnologia da Tesla, importa fazer uma distinção. Os veículos Tesla vêm equipados de base com o Autopilot, um sistema que ajuda a manter o carro na faixa e ajusta a velocidade ao trânsito (o chamado cruise control adaptativo).O full self-driving (FSD) é um extra opcional — que, em Portugal custa 7500 euros — e promete capacidades muito superiores, como mudar de faixa autonomamente, parar em semáforos e navegar em ruas urbanas complexas.No entanto, o nome “capacidade de condução autónoma total”, como se pode ler no site da Tesla em Portugal, pode induzir em erro. Na prática, e segundo a classificação oficial da indústria, trata-se de um sistema de nível 2. Isto significa que o condutor tem, obrigatoriamente, de manter a atenção na estrada e as mãos no volante a todo o instante, pronto para intervir. De outro modo, o sistema não transforma o carro num veículo autónomo que se conduz sozinho.Actualmente, o FSD já está disponível nas estradas dos Estados Unidos, Canadá, China, Austrália e Nova Zelândia.
