ANÁLISE: A marrabenta como símbolo nacional – Jornal Domingo
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POR LUÍS NHAMPOSSA*
A música de Xidiminguana ocupa um lugar relevante na história cultural de Moçambique, mas a sua importância pode ser compreendida para além do reconhecimento artístico. Domingos Matias Honwana, conhecido como Xidiminguana, nasceu em Bilene- -Macia, em Gaza, em 1936, e desenvolveu uma trajectória ligada à marrabenta, actuando como guitarrista e vocalista. A sua formação musical começou ainda na infância, com o xigogogwani, instrumento artesanal comum no Sul de Moçambique (Portal da Música Moçambicana, s.d.).
Do ponto de vista sociológico, a música constitui uma prática cultural através da qual experiências sociais adquirem significado. Crespi (1997), entende a cultura em relação com a produção de sentido e a mediação simbólica. Aplicada à obra de Xidiminguana, esta perspectiva permite observar as canções como formas de expressão através das quais relações, experiências e referências culturais são transformadas em narrativas partilháveis. A questão, portanto, não é apenas saber se uma música é popular, mas compreender o que ela torna socialmente visível. Esse aspecto pode ser observado no repertório associado ao músico. Canções como Xikona, Nilhayissi, Djoni e Tibabem integram a sua discografia disponível em plataformas digitais, tais como Youtube, onde Xidiminguana aparece também como intérprete e, em determinados registos, compositor. A circulação dessas obras permite que experiências inscritas num determinado contexto histórico e cultural, permaneçam acessíveis a públicos situados em diferentes momentos. Todavia, a existência de circulação digital não constitui, por si só, prova de importância sociológica; ela é um indicador da continuidade da circulação da obra.
A dimensão da memória é particularmente importante. Halbwachs (2004) demonstra que a memória se organiza mediante referências sociais partilhadas. Quando uma canção permanece no reportório colectivo, pode contribuir para conservar formas de linguagem, experiências e referências reconhecidas por grupos sociais. Uma publicação da revista Tempo identifica Xikona, Nihlayisse e Nikhome Nkata como referências do músico popular moçambicano e relaciona o percurso de Xidiminguana com a consolidação da marrabenta como símbolo nacional (Abel, 2026). Por outro lado, a música também expressa relações e orientações sociais. Parsons (1968) permite analisar valores, normas e papéis presentes nas situações narradas, enquanto Goffman (1993) ajuda a observar interacções, identidades e expectativas sociais. Leia mais…
*Sociólogo, com pesquisa musical de Valdemiro Macarala, jornalista




