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CULTURA

A cicatriz que sela novo verso na vida de muitas almas – Jornal Domingo

  • Escritor Bento Balói transforma sua residência num centro comunitário que apoia mais de 70 pessoas

Na cicatriz da vida e no verso que encanta pelo humanismo e espírito altruísta, o escritor destruiu literalmente a sua casa de infância no bairro da Maxaquene “B”, na cidade de Maputo. Dos escombros renasceu a esperança de ajudar os meninos que com ele cresceram, incluindo esposas e outros parentes, o que só foi possível com investimento em nova habitação, mais moderna e acolhedora. Facto curioso é que, ao abrir a porta da nova moradia, não era para ele entrar.

Era para variados públicos da comunidade à volta, de modo a que tivessem espaço para habitação do sonho e a esperança de gente sua, carente de apoios, numa simbiose assente num projecto altruísta, comunitário e acima de tudo cultural.

Da casa antiga, da sua infância, sobra apenas o quarto onde dormitava ele e seus projectos de infância. Hoje é o escritório e a nova alma do Centro Comunitário Vovó Nelly, nome que cimenta homenagem à matriarca da família Balói que faria 91 anos se fosse viva. “Nós estamos a homenagear a nossa mãe, porque quando éramos crianças, ela ensinou- -nos a ajudar o próximo”, esclarece Bento Balói, acrescentando que a obra, hoje tornada realidade, funda-se neste princípio fundamental.

“A nossa ideia era ter lançado isso no ano passado quando nossa mãe completaria 90 anos”, diz, visivelmente emocionado.

VERSO TRISTE, ALMA NOVA

O livro “No Verso de Cicatriz” vivificou o projecto, corria o ano 2023. Foi o primeiro prémio literário do autor no quadro de um concurso lançado pela Fundação Fernando Leite Couto, denominado Prémio Mia Couto.

Avaliado em 400 mil de meticais, ajudou para lançamento da primeira pedra na transformação de uma residência num centro comunitário e cultural que entrelaça reminiscência e altruísmo. “Recebido o dinheiro, não podia gastar de qualquer maneira. Era o valor de um prémio com bastante simbolismo para o meu percurso literário. Foi quando destruí minha casa antiga e iniciei obras”, recorda-se. Contudo, com o tempo e evolução dos trabalhos, os 400 mil meticais do Prémio Literário Mia Couto revelaram-se quase insuficientes.

Foi quando poupanças da família foram investidas para inauguração do Centro Comunitário Vovó Nelly, a 1 de Junho do ano em curso. Hoje, cerca de 70 almas relançaram a vida ali, em projectos de formação em corte e costura, pintura, estudo de inglês e aulas de maquiagem.  Leia mais…

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